Como Quando Os Dóceis Pedem Carinho

O teu cabelo dançava em minhas mãos.

Tua nuca encostada na palma de minha mão roçava lenta e devagar, como quando os dóceis pedem carinho.

Seguia a melodia, dessincronizada do texto pronunciado de lábios, que não os teus, mas que poderiam muito bem ser.

A melodia não estava sincronizada com o texto, mas, de alguma forma que não sei explicar, você estava sincronizado com a melodia, e com o texto, ao mesmo tempo.

Enquanto isso, minha mão lutava para sincronizar com tua nuca, de uma forma que eu pudesse conversar com você por meio do carinho que eu quis e acredito ter transmitido através de minhas mãos.

Com elas tentei demonstrar que teus lábios, que brincavam com o texto falando sem emitir som algum, convidava os meus lábios pra brincar com os teus. Ainda que de modo indireto.

Foi de modo indireto?

Não acho que você seja ator. Você é muito transparente pra isso. E, por isso, não falo que você simplesmente representava o texto. Eu acredito que, muito além de representar, você viveu o texto, mais uma vez, ali, na minha frente.

E ouso dizer mais uma vez, porque a conversa que você tinha consigo mesmo, ainda que sem emitir sons (ainda que movendo apenas os lábios), com certeza já aconteceu outras vezes.

Mas eu sou pretencioso a ponto de brigar com O Passado e afirmar pra Ele que em nenhum momento você teve uma conversa tão intensa como aquela.

Porque de alguma forma eu quero poder dizer a mim, de forma bem egoísta, que você só viveu isso uma vez. E que eu estava do seu lado nesse momento. E que só eu presenciei.

Devo ser pretencioso a ponto de dizer? Bom... Algo me diz que eu influenciei aquilo, não influenciei? Todos pequenos momentos que vieram antes: os sorrisos, o tom suave de vermelho das tuas bochechas que te subiam volta e meia com as besteiras que eu falava; todos eles me fazem acreditar que eu consegui de alguma forma tocar o teu interior.

Muito embora eu entre em conflito quando tento entender o que passou pela tua cabeça no momento em que nos apoiamos um no outro e nossos lábios superiores se tocaram levemente (e, logo depois você virou o rosto pela milhonésima vez com um sorrisinho que tem a malícia de um adulto e a doçura de uma criança pura), muito embora tudo isso, eu sei que há um conflito muito maior.  
Esse sorriso que carregava um “como eu queria” me deixa na dúvida até agora:

Ou era um “como eu queria” de quem sente pena e gostaria apenas de estar entregue ao momento, pra não me desagradar.

Ou era um “como eu queria” de quem quer, mas não pode.

Essa dúvida ainda vai me corroer um pouquinho mais. De certeza.


Mas uma coisa é muito bom frisar:
Seria o maior prazer poder remar por uma noite contigo.
Eu me contentaria com uma pequena volta nesse teu barco tão bem protegido.

Ai, essas paixões platônicas de quem tem Sol em Câncer...

Os capricornianos têm alguma solução pra esse tipo de distração?

A entropia acontece

Dos deuses eu só quero os braços que tudo prendem.

Prenderia os amigos a uma distância perfeitamente acessível.

A rotina parece só repetição, mas é um processo contínuo de afastamento dos nossos. De transformações contínuas de nós mesmos. Dos outros.

Nada se repete.

A entropia acontece.

Tudo se afasta.



O canceriano que queria ser de sagitário.

Alguns olhares conseguem te desconcertar. Ainda que eles estejam simplesmente cravados numa foto.

Eles te puxam lembranças de uma segunda qualquer, após um domingo daqueles.

Te fazem pensar numa terceira chance, ainda que a segunda chance não tenha tido a oportunidade de se concretizar.

É palhaçada se pôr ao papel de stalkear alguém repetidas vezes na semana. Mas é muito (bem pior e) doloroso não fazê-lo.

Às vezes fico pensando que, nesses stalkes da vida, seria melhor encontrar uma outra pessoa “no meu lugar” de uma vez. Ainda que o meu lugar não tenha nem sido realmente posto. Retirar o que não foi colocado.

No fim das contas, quem o pôs fui eu, em minha mente. Mas é difícil saber que quem tem que retirar sou eu. Se você não pode me ajudar me colocando do teu lado, ao menos deixa claro que fui expulso de vez.

Ou não, não me tira. Sei lá, tô muito confuso. Fico me perguntando se te bloquear vai me fazer te esquecer de vez, ou se te “esquecer de vez” vai me fazer bloquear.

Deveria haver uma regra: “no amor a gente sofre um décimo do tempo que viveu”. Seria um pouco justo, né? Essa história de tempo indefinido pra sofrimento é uma merda.

Putz! Tô um poço de indecisão, hoje. Devia ter nascido em dezembro. Ser canceriano não tá fácil! Vejo meus amigos, passando por coisa parecida. Relacionamentos de 4 anos? Eles superam em algumas semanas. Me sinto um grande idiota por ainda estar nessa.

Ao menos eu tenho certeza de algo: A segunda coisa que eu mais quero, agora, é anestesiar essa minha dor.

É que a primeira, bom. A primeira ainda é você.

Título

Prometi pra mim mesmo que iria escrever. Tenho prometido há alguns anos na verdade. “Não, hoje vai!”, mas aí eu resolvo abrir a agenda (não sei pra quê, porque sempre tem) e encontro zilhões de coisas que me fazem pensar se realmente vale a pena viver, porque não está sendo fácil, amigx. Todavia, não siga a interpretação da frase acima pelo lado do suicídio. Eu já até pensei, mas daria um trabalho terrível… Minha mãe iria chorar pra sempre… Enfim. Não encara assim o que vou dizer.
Mas poxa! Realmente vale a pena viver pra ser escravo do trabalho, da facul, ou de qualquer outra coisa? Gente! Sou eu que quero escravizar! Eu quero poder escravizar o tempo, a rotina. Eu quero poder fazer dela minha, ser dono dela, do que faço. Matar as obrigações, ou melhor, transmuta-las em prazer. Em amor. Transformar meus deveres em máquinas de criar mudanças. Melhorar a minha realidade, a de outrem. Eu não quero ser só uma engrenagem desse sistema fadado a destruição. Eu quero mudar o rumo desse carro, entende? O abismo tá logo ali.
Desde os 12, sonho em publicar alguma coisa feita por mim. Desde os 18, sonho em publicar alguma coisa feita por mim que gere reflexão. A impressão que eu tenho é que a cada dia meu sonho leva uma facada dessa rotina absurda. E o que eu faço? Deixo morrer?
Tá aqui o meu sonho, com cara de desabafo e formato de Blog. Eu quero escrever e (ponto). Eu quero simplesmente fazer isso se concretizar, fazer isso ganhar forma, e, de preferência, através dos zilhões de projetos que tenho em mente.
Acabo de zarpar num barco que, além de carregar todos os contos, crônicas, resumos, trechos, desabafos e gêneros que ainda não defini (a gente precisa realmente definir as coisas?), ainda vai carregar um pouquinho da minha história rumo a um futuro incerto onde a minha vida é construída através da escrita.
E mesmo que eu não venha a conseguir alcançar esse futuro… Sei lá… Isso daqui vai me dar um prazer tão lindo, sabe?