Como Quando Os Dóceis Pedem Carinho

20:30 Unknown 0 Comments

O teu cabelo dançava em minhas mãos.

Tua nuca encostada na palma de minha mão roçava lenta e devagar, como quando os dóceis pedem carinho.

Seguia a melodia, dessincronizada do texto pronunciado de lábios, que não os teus, mas que poderiam muito bem ser.

A melodia não estava sincronizada com o texto, mas, de alguma forma que não sei explicar, você estava sincronizado com a melodia, e com o texto, ao mesmo tempo.

Enquanto isso, minha mão lutava para sincronizar com tua nuca, de uma forma que eu pudesse conversar com você por meio do carinho que eu quis e acredito ter transmitido através de minhas mãos.

Com elas tentei demonstrar que teus lábios, que brincavam com o texto falando sem emitir som algum, convidava os meus lábios pra brincar com os teus. Ainda que de modo indireto.

Foi de modo indireto?

Não acho que você seja ator. Você é muito transparente pra isso. E, por isso, não falo que você simplesmente representava o texto. Eu acredito que, muito além de representar, você viveu o texto, mais uma vez, ali, na minha frente.

E ouso dizer mais uma vez, porque a conversa que você tinha consigo mesmo, ainda que sem emitir sons (ainda que movendo apenas os lábios), com certeza já aconteceu outras vezes.

Mas eu sou pretencioso a ponto de brigar com O Passado e afirmar pra Ele que em nenhum momento você teve uma conversa tão intensa como aquela.

Porque de alguma forma eu quero poder dizer a mim, de forma bem egoísta, que você só viveu isso uma vez. E que eu estava do seu lado nesse momento. E que só eu presenciei.

Devo ser pretencioso a ponto de dizer? Bom... Algo me diz que eu influenciei aquilo, não influenciei? Todos pequenos momentos que vieram antes: os sorrisos, o tom suave de vermelho das tuas bochechas que te subiam volta e meia com as besteiras que eu falava; todos eles me fazem acreditar que eu consegui de alguma forma tocar o teu interior.

Muito embora eu entre em conflito quando tento entender o que passou pela tua cabeça no momento em que nos apoiamos um no outro e nossos lábios superiores se tocaram levemente (e, logo depois você virou o rosto pela milhonésima vez com um sorrisinho que tem a malícia de um adulto e a doçura de uma criança pura), muito embora tudo isso, eu sei que há um conflito muito maior.  
Esse sorriso que carregava um “como eu queria” me deixa na dúvida até agora:

Ou era um “como eu queria” de quem sente pena e gostaria apenas de estar entregue ao momento, pra não me desagradar.

Ou era um “como eu queria” de quem quer, mas não pode.

Essa dúvida ainda vai me corroer um pouquinho mais. De certeza.


Mas uma coisa é muito bom frisar:
Seria o maior prazer poder remar por uma noite contigo.
Eu me contentaria com uma pequena volta nesse teu barco tão bem protegido.

Ai, essas paixões platônicas de quem tem Sol em Câncer...

Os capricornianos têm alguma solução pra esse tipo de distração?

0 comentários: